domingo, 24 de maio de 2009

Sara Ocidental: À espera de uma vida normal

Reportagem publicada na revista Notícias Sábado do Diário de Notícias/Jornal de Notícias, 23 de Maio de 2009
por Joana Simões Piedade

A NS’ visitou um campo de refugiados do Sara Ocidental em Tinduf, no Sudoeste da Argélia. Em casas de adobe, sujeitos a dificuldades de alimentação e deficientes cuidados de saúde, rapazes e raparigas que já viveram com famílias de acolhimento em países europeus, incluindo Portugal, têm sonhos iguais aos de quaisquer outros da sua idade.

SÃO CINCO da manhã. Lamira, 18 anos, prepara-se para a primeira oração do dia. Dever cumprido, junta-se à mãe que, sentada no tapete colorido que constitui a única mobília daquela sala de quatro paredes feitas de adobe, dá início ao ritual da preparação do chá. Vários copos pequenos são alinhados em fila, o pote com água colocado nas brasas, o líquido fervido é despejado num dos copos e, depois, passado de copo em copo até criar espuma. Um ritual que irá repetir-se inúmeras vezes ao longo daquele dia.
Estamos num dos acampamentos de refugiados de Tinduf, deserto do Sudoeste da Argélia, onde habitam cerca de 165 mil sarauís da antiga colónia espanhola do Sara Ocidental. A paisagem é desértica, pedregosa e infértil, com barracas de tijolo cru e tendas de lona (chamam-lhes jaimas) despojadas de tudo, sem luz nem água corrente. Não se vislumbra vegetação, a água é escassa e extraída através de furos. Ventos fortes, o chamado siroco, soprados do deserto em direcção ao Norte de África, causam tempestades de quando em vez. As raras chuvas torrenciais provocam desabamentos.

NO VERÃO, as temperaturas atingem o calor sufocante dos cinquenta graus, nas noites de Inverno podem ir aos negativos. Como podem viver Lamira e a família ali? Fugiram para a Argélia após a retirada da Espanha em 1975 e consequente anexação do Sara Ocidental a Marrocos. Agora esperam.
Esperam voltar à sua terra de origem banhada pelo oceano Atlântico. Em 1976, o movimento de libertação Frente Polisário autoproclamou a independência da República Árabe Sarauí Democrática (RASD) e, desde aí, tem criado no Sudoeste da Argélia estruturas de um Estado, ainda à espera de o ser. Para não esquecer o passado, os acampamentos de refugiados têm os nomes das cidades do Sara Ocidental controladas por Marrocos há 33 anos.
Lamira e a família de sete pessoas moram em Dakhla, o mais longínquo dos quatro acampamentos, situado a sudoeste de Tinduf, junto à fronteira com a Mauritânia, mais perto das dunas de areia do Sara do nosso imaginário. Cerca de 95 por cento da população são mulheres. Os homens prestam serviço militar e vão para longe de casa, para a «frente», apesar de não haver obrigatoriedade para se alistarem nem guerra onde disparar. Regressam de meses a meses, consoante a permissão.
Contrariando algumas práticas estabelecidas e outras tantas ideias feitas no que toca aos países árabes, perante esta situação, cabe às mulheres um papel fulcral na organização e gestão dos campos de refugiados: são a maioria nos conselhos regionais e representam 34 por cento do Parlamento Sarauí. Revezam-se entre a organização da casa e das famílias, cursos profissionais, actividades de apoio social aos mais carenciados, trabalho associativo. Manterem-se ocupadas é vital para resistir ao vazio da espera.

OS DIAS no acampamento são longos e há muito pouco para fazer. As crianças e os jovens frequentam a escola durante a manhã e ao final da tarde, evitando as horas de maior calor. Como Lamira. A jovem fala num castelhano perfeito, aprendido na escola e nos três anos que viveu e estudou em Sevilha com uma família de acolhimento espanhola.
Sentada no chão, com as irmãs mais novas encavalitadas, mostra com satisfação as fotografias tiradas durante esses anos. Irreconhecível à primeira vista, é uma outra menina sem a sua melfha, o lenço colorido que cobre todo o corpo e cabelo das mulheres sarauís, e que Lamira veste por cima das calças de ganga e ténis. Em cima de uma scooter, com o cabelo frisado, top de alças colorido e brincos, maquilhada para uma festa ou vestida de sevilhana. Depois em Cádis, no casamento de uma «irmã», vai apontando com orgulho a família emprestada.
Nos álbuns vindos de Espanha aparece sempre de óculos postos, os mesmos que se recusa a usar no deserto. «Para quê? Aqui não preciso deles.» Óculos feitos metáfora na vida de Lamira, como se nada houvesse para enxergar no deserto. Confessa, entre risos, que «em Espanha não rezava. Ao princípio sim. Depois esquecia-me. Mas a minha mãe não sabe». Para os muçulmanos sarauís, o Estado é laico e a religião é opção de cada um. Esta posição de tolerância religiosa deixa-os mais longe dos restantes países árabes.


QUANDO VOLTOU da Andaluzia, Lamira chorava todos os dias. Depois, passou, conformou-se. Quer ser cabeleireira, mas o sonho será adiado. «As pessoas no acampamento não têm dinheiro para isso.» Desconsolo maior parece ser relativo aos rapazes «aqui são muito feios, ou bonitos mas com os dentes estragados», confessa, fazendo uma careta.
E namorar? «Não, não. Aqui, se a tua mãe sabe que gostas de um rapaz já não te deixa sair de casa. Não quero isso para mim», diz enquanto tira os óculos de sol imitação chinesa de marca de renome comprados em Argel. A vida de adolescente na normalidade possível da condição de refugiada.
A ida de Lamira para Espanha insere-se numa estratégia política da RASD na área da educação, que encontra eco na frase «ser culto é o melhor caminho para ser livre», repetida em várias placas por todas as escolas. Todos os anos 8400 crianças, entre os 8 e os 12 anos, saem dos acampamentos sarauís para passar um Verão mais ameno na Europa (Espanha e Itália, sobretudo) junto de famílias de acolhimento ou em acampamentos de férias, ao abrigo do programa Férias em Paz.
Algumas das crianças e jovens aproveitam para recorrer a tratamentos médicos impossíveis de realizar em Tinduf. O desenvolvimento deste programa veio ainda introduzir nos acampamentos um factor novo: a circulação de dinheiro. A nova realidade possibilita a existência de um pequeno comércio, feito de lojas de supermercado, vestuário e quinquilharia vária e cafés. Estabelecimentos frequentados não só por delegações da ajuda humanitária como pelos refugiados. Com o apoio internacional foram ainda construídos cibercafés onde jovens sarauís consultam e-mails e conversam em chats na internet.

PORTUGAL é visto pelos dirigentes sarauís como um país com potencial para acolhimento destas crianças, até pela proximidade geográfica. Apesar das tentativas levadas a cabo por organizações como o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), apenas um número reduzido de portugueses tem recebido crianças sarauís.
Alzira Mendes vive no Restelo, em Lisboa. Teve o primeiro contacto com os refugiados quando acompanhou o marido, médico, à Maratona do Sara, que acontece todos os anos em Fevereiro. A partir daí, começou a acolher crianças. Agora, de visita a Smara (o maior e mais densamente povoado dos acampamentos de Tinduf), fica em casa da família de Halifa, de 17 anos, que já recebeu em Portugal. «Gostei da piscina e da praia, dos parques e dos passeios», diz o rapaz.
O relato de Alzira é emocionado. «Ganhei mais com eles do que eles comigo, não tenho dúvidas.» Mas ser família de acolhimento é duro. «Quando vão para nossa casa têm saudades da mãe e choram nos primeiros dias. Depois percebem que têm muito para aproveitar naqueles dois meses. Vamos com eles a todos os sítios possíveis, queremos que vivam tudo, conheçam tudo. Quando partem, as saudades são muitas para nós e para eles também.» Depois, fica o vazio e «todos os dias sentar-me à mesa e pensar se eles aqui terão comida».

COMIDA NA MESA. É sempre a incógnita para os refugiados sarauís, actualmente vítimas de reduções da ajuda alimentar da qual dependem totalmente. Marrocos tem vindo a acusar a Polisário de revender a ajuda humanitária na Mauritânia e isso, segundo a RASD, tem consequências no envio de alimentos por parte das organizações. O alcaide de Dakhla conta que «há cada vez menos alimentos e problemas com o transporte.
Os atrasos chegam a ser de um mês e isso causa uma situação muito complicada para as famílias». Quando chega, nos dias 1 a 10 de cada mês, cada pessoa recebe alimentos básicos consoante a quantidade disponível: dois quilos de farinha, um quilo de arroz, massa, açúcar, lentilhas, uma lata de atum, azeite. O que for possível.
Como consequência de uma alimentação deficiente, muitos refugiados sofrem de má nutrição, anemias e desidratação. Nos hospitais, os médicos sarauís, maioritariamente formados em Cuba, contam com o apoio permanente das representações espanhola e grega da organização não governamental Médicos do Mundo.
Ibrahim, médico ginecologista, é o único especialista na região e vem ao hospital de Dakhla uma vez por mês. Entre um cigarro e outro traça o diagnóstico. «As mulheres aqui carregam muito peso, sacos de comida da assistência humanitária, água, isso provoca muitos abortos espontâneos, rupturas intra-uterinas. Só há pouco tempo começaram a substituir os trapos por pensos higiénicos durante a menstruação e estamos a conseguir evitar várias infecções.»

OS DOIS MÉDICOS residentes deste hospital têm 28 anos. Ali Maulud e Matala alternam a cada semana a posição de homem do leme do hospital e, nessas alturas, são responsáveis 24 horas por dia. Vêem-se a braços com muitos casos de hipertensão, diabetes, doenças respiratórias, bronquites e desidratação.
A má qualidade da água é responsável por um elevado número de doenças intestinais, gastrites, febres. Os banhos são esporádicos porque a água escasseia. Apesar de o sistema de saúde ter vindo a conseguir evitar a propagação de epidemias nos campos, as condições são deficientes.
A secção de maternidade de Dakhla tem uma incubadora e esterilizador alimentados por um sistema de aproveitamento solar ue só funciona quatro horas por dia. A energia fornecida não chega para mais.


O caminho de Dakhla ao acampamento «27 de Fevereiro» faz-se a bordo de um Land Cruiser por um caminho de pó e solavancos. Ao fim de 120 quilómetros passamos por Rabuni, o centro administrativo dos vários campos de refugiados, onde se concentra todo o aparelho deste «Estado» virtual.
Numa comparação ocidentalizada, Dakhla corresponderia ao campo, feito de casas dispersas e estradas vazias, e o «27 de Fevereiro» à cidade, com a azáfama de várias gerações de refugiados, estrangeiros de organizações de ajuda humanitária, e com a electricidade que permite ter luz ao clique de um interruptor.

NO RECINTO da escola, à volta da qual cresceu o acampamento, está montado um palco. Projectadas em dois improvisados panos brancos, passam imagens de uma marcha de protesto realizada, no dia anterior, junto ao muro de dois mil quilómetros construído por Marrocos. Há música, gritos e vivas a um Sara Livre.
Bader Habub, 28 anos, está presente e é o presidente de uma associação de voluntários (a Brigada Sumud) que actua nos campos de refugiados fazendo trabalho junto das famílias mais necessitadas, inválidos e mutilados de guerra. Como muitos jovens sarauís que frequentam cursos superiores no estrangeiro (sobretudo em Espanha, Argélia e Líbia), Bader estudou Geologia e Contabilidade em Cuba.
A postura perante o conflito, como a da maioria dos da sua geração, é radical. «Para ter a independência, para ter direito à terra, há que derramar sangue.» Ainda assim, Bader espera que «o referendo da ONU seja realizado com justiça» [ver caixa]. Activistas sarauís como Bader comparam a situação do Sara Ocidental a Timor Leste, ocupado pela Indonésia após a saída de Portugal, da mesma forma que Marrocos ocupou o Sara quando Espanha abandonou a região.
A revolta do jovem dirige-se para a escassez de perspectivas de uma vida melhor. «Aqui há muitos licenciados que não têm como utilizar os seus conhecimentos. E muito dinheiro das ajudas humanitárias tem origem no nosso mar, através das pescas, e na nossa terra, através dos fosfatos. Riquezas que Marrocos divide com os países ocidentais», indigna-se.
Bader olha para o futuro e garante que não quer ser contabilista em Espanha nem geólogo em França. «Não quero ser exilado aqui, na Argélia, e depois imigrante noutro sítio. Quero o meu país e ficar com o meu povo onde quer que ele esteja. Até ao fim.»
Ao fundo, como ecos no acampamento, risos universais e cantares em árabe soltam-se no escuro da noite abrigados por um céu inteiro de estrelas que só se deixam ver no deserto.
Versão online aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Colóquio Sahara Ocidental: 36 anos de luta pela autodeterminação e independência

Via Blogo Social Português tomei conhecimento que a Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, a ATTAC-Plataforma Portuguesa, o CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral), a Comissão Nacional Justiça e Paz e o Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos organizam no 25 de Maio (2.ª Feira), pelas 18h30, na sede da Associação 25 de Abril, um colóquio sobre os 36 anos de luta pela autodeterminação e independência do Povo Saharaui.

São oradores: a Prof.ª Maria do Céu Pinto, do Departamento de Ciência Política e Administração Pública da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, o General Pedro Pezarat Correia e Adda Brahim, representante da Frente POLISARIO em Portugal.

A Associação 25 de Abril fica no nº 95 da Rua da Misericórdia, ao Chiado.

Canal de televisão saharaui começa a emitir para o mundo


A BBC Monitoring cita o jornal de língua árabe Al-Hayet, com sede em Londres, segundo o qual o novo canal televisivo saharaui RASD TV, situado em Tinduf, terá transmissão terrestre para os refugiados do Sahara Ocidental e também através do satélite Intelsat’s 905.
A programação da RASD TV será, numa primeira fase, totalmente em árabe mas prevê-se que, posteriormente, haja também programação específica em inglês e espanhol.
Segundo noticia a Rapid Tv News, o director do canal, Mohamed Salem Ahmed Labaid, disse à Agência de Notícias Saharaui (SPS), no dia 17 de Maio, que espectadores a viver em África, Europa Ocidental e grande parte do Médio Oriente serão capazes de receber e visionar o novo canal. Labaid acrescenta que "os espectadores poderão ser informados diariamente dos últimos desenvolvimentos da questão do Sahara Ocidental e da situação no território ocupado, através de boletins informativos e vários programas na área política, cultural e social, bem como vídeos e documentários sobre a luta do povo saharaui".
Segundo a mesma fonte, o responsável para os Media da Frente Polisario, Mohamed El Mami Tamek, referiu ao jornal Al-Hayat que a decisão de lançamento de uma estação televisiva "coincide com as comemorações do 36º aniversário do início da luta armada" contra a presença de Marrocos no Sahara Ocidental. Segundo Tamek, o novo canal "irá revelar as graves violações cometidas por Marrocos contra os saharauis nos territórios ocupados no sul de Marrocos".
A RASD TV já emitia programas, de forma experimental, nos campos de refugiados de Tinduf durante quatro horas por dia. O objectivo agora é ser captada em todo o mundo, especialmente "nas cidades saharauis debaixo de ocupação marroquina".
O projecto existe há cerca de cinco anos e o seu financiamento está a cargo da Asociación de Amigos del Sáhara de Sevilla.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um salto à chuva


De volta à estrada. O mais longínquo dos acampamentos de Tinduf, e por isso o mais sofrido, aquele que alberga os maiores problemas e carências, ficou para trás na nossa jornada – no rigor e crueldade da geografia - e seguimos viagem. Com a promessa de fazer chegar pelo correio fotografias, notícias, saudades e de espalhar a palavra, contar a todos quanto pudermos a história e as estórias que ali conhecemos.

Voltámos aos Land Cruiser azuis que vão desbravando terra, cortando o ar, levantando pó, sem rumo definido no chão, tentando seguir as pistas anteriormente desenhadas pelos pneus de outros jipes. A caminho do vazio. Sentada no banco da frente vou tentando, aos solavancos, físicos e metafóricos, relembrar os últimos dias, apontando no caderninho preto recordações, na tentativa vã de não esquecer nada para melhor contar tudo. Entre memórias, passamos por um posto militar “importante”, dizem-me, em termos estratégicos devido à proximidade com a Mauritânia. Logo a seguir, a aldeola de Gara Djebillet onde vivem os familiares dos militares.

Iremos parar um pouco depois, a 70 quilómetros de Tinduf, no meio do nada, para visitarmos o internato do 12 de Outubro. A escola que abriga 650 alunos, entre os 12 e 18 anos, recebeu o nome da data em que se festeja a Unidade Nacional dos Saharaui. Como nos explica o director, este internato é uma etapa intermédia para todos aqueles que pretendem continuar a estudar. Após os quatro anos ali vividos, os jovens podem seguir para um dos vários países com os quais existem protocolos de cooperação para estudos universitários. Líbia, Síria, Cuba, Argélia ou Espanha, podem vir a ser o seu próximo destino. Visitamos as salas de aulas, com paredes bem providas de pedaços da história de um povo, contada através de fotografias a preto e branco de heróis nacionais e cópias de mapas; no chão maquetes da escola, minuciosas, pormenorizadas, construídas a papel, areia e pedra; no laboratório de química, tubos de ensaio, pipetas, varetas, espátulas e demais equipamento que permite descortinar os mistérios da natureza; na cantina gigantesca, mesas corridas, intermináveis, onde são colocados tabuleiros e servidas as refeições; nas dezenas de dormitórios, centenas de camas abrigam os 650 jovens que trocam a vida junto dos pais pela continuação dos estudos e personificam a máxima “Ser culto para ser livre”, presente em todo o lado.

Durante a visita, o calor sempre abrasador que nos esmaga, queima e amolece, é interrompido por um vento forte e barulhento que se levanta sem avisar. De repente, saímos para a rua e deparamo-nos com o cenário que a fotografia ali em cima mostra. Junto a um muro, uma mão cheia de crianças ensaiava saltos e piruetas festejando uma chuva miudinha e refrescante que caía inesperadamente. Alegria em estado puro na simplicidade de água no deserto.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O futuro que espreita


A nossa despedida da casa de Dakhla. Da direita para a esquerda na foto, Francisco, Sanya, a irmã mais nova de Lamira que adorava andar com a nossa máquina fotográfica em punho, ora a acordar o pai com os flashes, ora a retratar para a posteridade a mãe de sorriso largo no rosto e “V” de vitória entre os dedos (vitória de um Sahara Ocidental livre, claro!). E Hailili, de três anos, o irmão caçula, o futuro da “nossa” família de Dakhla.

Os três à porta. A espreitar.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Festival Internacional de Cinema do Sahara 2009




Fotos "roubadas" daqui.

Uma janela aberta para o mundo. Durante cinco dias e cinco noites, as dunas de Dakhla servem de cenário a um festival internacional de cinema. A sexta edição do Festival Internacional de Cinema do Sahara (FiSahara 09) acontece já de 5 a 10 de Maio no acampamento de Dakhla em Tinduf. Durante o festival, que não inclui uma competição oficial, projectam-se filmes como Camino, La ola, El truco del manco, Los crímenes de Oxford e Che, entre outros, assim como algumas curtas-metragens, filmes africanos ou de temática saharaui.

“Esta iniciativa nasce com a finalidade de sensibilizar e dar uma solução parcial às necessidades detectadas, referentes ao lazer, actividades culturais e de formação audiovisual, entre a população de refugiados saharauis dos acampamentos de Tinduf, na Argélia. O objectivo é realizar actividades de difusão cultural no âmbito cinematográfico”, refere a organização do festival.

O projecto Cinema pelo povo saharaui quer ir mais longe do que os cinco dias que dura o FiSahara e abarca também a criação de uma rede de videotecas, uma em cada um dos acampamentos e de oficinas e cursos de formação audiovisual. Formar jovens entusiastas da sétima arte e, devagar, ir criando uma verdadeira escola de cinema nos acampamentos, são os objectivos traçados.

O "direito a viajar" das crianças saharauis – Ir ao Mundo e voltar



Olhar o mar pela primeira vez, descobrir o azul reflectido numa imensidão de água, voar a bordo de um avião cheio de crianças como eles, atravessar o continente africano para o europeu, descobrir montanhas e escarpas, ver ao vivo cores iguais às desenhadas com lápis trazidos de longe, andar de carro em cidades grandes, encadeantes de luzes e néons, ruidosas, barulhentas e confusas, mas cheias de movimento e vida, pisar a areia molhada da praia e construir um castelo igual aquele que acabaram de visitar, ir a museus e ver marionetas, dinossauros, espadas e tambores, correr em parques naturais e jardins, andar de comboio e de barco, descobrir a água corrente, saber o que é abrir uma torneira e a água não parar de jorrar, tomar um banho diário, descobrir esse objecto chamado de sanita, escovar os dentes diariamente, comprar roupa e sapatos, aprender a comunicar num novo e estranho idioma, assistir a desenhos animados numa sala de cinema, ter comida na mesa com fartura e refeições tomadas várias vezes ao dia, pensar que aquilo que sobra faria falta na casa lá longe, usar um garfo e uma faca para levar a comida à boca, deitar numa cama para dormir e chorar com saudades da mãe que ficou longe e que chorará também ela na sua tenda de Tinduf, regressar depois ao acampamento e chorar com saudades do que se acabou de conhecer.

Ir ao Mundo e voltar. É isto que fazem, todos os Verões, durante os meses de Julho e Agosto, cerca de 8.400 crianças saharauis dos 8 aos 12 anos. Com o aproximar do tempo mais quente e seco inaugura-se o programa governamental saharaui "Férias em Paz"/ "Vacaciones en Paz". Vários voos charter partem de Tinduf completos de crianças a caminho de umas férias na Europa. Um verdadeiro "direito a viajar" consagrado pelos responsáveis saharauis. Os seleccionados (os critérios são a idade e o sucesso escolar, - a quem reprova um ano escolar não é permitido repetir o programa) deixam as temperaturas impossíveis do Verão nos campos de refugiados na Argélia e vão viver dois meses em Espanha, França, Itália ou outro destino, junto de famílias estrangeiras de acolhimento e/ou em colónias de férias. Os custos são totalmente suportados pelas famílias de acolhimento, em conjunto com várias associações europeias de apoio à causa saharaui.

A razão de ser deste programa foi-nos explicada pelo secretário da Juventude Saharaui. Segundo Mouloud Fadel, este programa é uma forma de "as crianças conhecerem uma sociedade diferente, saberem que é possível uma vida diferente daquela vivida nos acampamentos e que devem lutar por isso". Para além de permitir às crianças a visão deste mundo novo fora dos acampamentos, o programa "Férias em Paz"/ "Vacaciones en Paz" tem objectivos políticos que os responsáveis não escondem. "Estas crianças são embaixadores da Paz no sentido em que vão dar a conhecer às famílias e respectivos países europeus a realidade em que vive o povo saraui". Uma forma de espalhar a causa através das crianças. Também a questão financeira está bem presente. A criação de laços afectivos entre as crianças saharauis e as famílias europeias permite "uma certa auto-suficiência das famílias nos acampamentos e independência da ajuda humanitária organizada, isto porque, as famílias passam a enviar dinheiro, bens e a visitar as crianças nos acampamentos". Desta forma, o chamado "direito a viajar" das crianças é uma forma de dotar o povo saharaui de alguns recursos e uma oportunidade de ajudar à resistência através da solidariedade directa, mais independente de conjunturas económicas e interesses políticos.

O programa visa ainda possibilitar a realização a algumas crianças de cirurgias e tratamentos médicos que não podem ser realizados em Tinduf, por falta de condições. Foi o caso de Abel, lembram-se?
Portugal é visto, até pela proximidade geográfica, como um país com potencial para acolhimento destas crianças, tanto para realização de cirurgias como para as receber num período de férias. No entanto, e até agora, apenas um número reduzido de portugueses tem recebido crianças saharauis. Existem excepções, claro. Falaremos disso mais tarde.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Notícias na rede: SADC lamenta situação política prevalecente no Sahara Ocidental

O embaixador sul-africano e presidente da missão permanente da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) na ONU, Baso Sangqu, lamenta em nome dos 14 Estados membros a situação política prevalecente por mais de três décadas no Sahara Ocidental, sem contudo existir qualquer solução.

Num comunicado enviado quarta-feira à Angop [Agência de notícias angolana], a SADC reitera que "para o povo do Sahara Ocidental, o conflito dominante naquele país é uma luta pela auto-determinação e que está baseada nos princípios da descolonização, da promoção dos direitos humanos, da legalidade internacional, assim como da estabilidade e da segurança do continente Africano". "É uma luta na qual o povo da nossa sub-região africana está completamente engajada"-sustentou.

Assim, os Estados membros apelam à Frente Polisário, que representa o povo do Sahara Ocidental, e ao Reino dos Marrocos no sentido de participarem nas negociações directas durante o processo Manhasset baseado no plano de ambos apresentado ao Secretário-Geral. O texto sublinha que a SADC deseja que as duas partes manifestem nas conversações uma vontade negocial sem pré-condições e de boa fé, em conformidade com a resolução 1754 (2006) do Conselho da Segurança (CS) da ONU.

"A República Árabe Saharaui Democrática é membro fundador da União Africana (UA) e foi da Organização da Unidade Africana (OUA). Ao mesmo tempo, o reino dos Marrocos é igualmente um país africano amigo", recordou Baso Sangqu no comunicado.
O texto acrescenta que "a SADC continua esperançada que as duas nações africanas possam encontrar um meio capaz de resolver o seu diferendo que permanece como grande desafio para o nosso continente". "O objectivo é tentar alcançar uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável", rematou.

Os Estados Membros da SADC apelaram ao Concelho da Segurança a agir decisivamente e ajudar as partes na resolução do seu conflito na base dos princípios legais estabelecidos sobre a auto-determinação. O diplomata sul-africano disse, por outro lado, que a organização da África Austral manifesta a sua preocupação perante a incessante exploração de recursos naturais do Sahara Ocidental. "Essas actividades violam os princípios legais internacionais aplicáveis sobre os territórios não-autónomos", prosseguiu. "Para tal, é importante recordar que o Sahara Ocidental permanece como a última colónia do continente africano e faz parte da lista das Nações Unidas de Território Não-Autónomos desde 1963, altura em que se encontrava sob a colonização espanhola", indica a nota.

O embaixador Baso Sagqu aproveitou a oportunidade para felicitar o novo enviado pessoal do secretário-geral da ONU, Christopher Ross, e encorajou-o no sentido de empreender todos os esforços necessários para garantir uma solução justa do conflito, no âmbito das resoluções da ONU sobre a questão da descolonização.

Retirado de www.portalangop.co.ao

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Shukran شكراًَ


Na foto, a prova de como a necessidade aguça o engenho: o pátio interior do hospital de Dakhla foi aproveitado para uma plantação de algodão, material que, como se sabe, dá muito jeito num hospital.
Faltou dizer, no post anterior, que os medicamentos que recolhemos em Portugal, junto da família e amigos que tão prontamente quiseram ajudar, ficaram aqui com Matala e Ali Maulud. O nosso shukran a todos.

Médicos deste Mundo






Matala, estatura média, calças de ganga, t-shirt e boné azul, parece um puto. Está de folga. Esta semana o turno no hospital de Dahkla pertence ao colega Ali Maulud. Têm os dois 28 anos, alguns dos quais passados em Cuba a estudar Medicina. Viram o azul turquesa das Caraíbas e outras cores que não conheciam antes, ouviram os ritmos de Compay, Milanes, Omara e Orishas, passearam pelas ruas de arquitectura colonial onde desfilam corpos morenos "merengados" e parcamente vestidos, sentiram a vibração da ilha, conviveram com a cerveja e álcool interdito aos muçulmanos, cheiraram a fruta fresca nos mercados. Cursos concluídos, doutores feitos, deixaram a paleta de cores berrantes da ilha caribenha e voltaram para a monocromia de Tinduf.
Assumem agora a função de médicos residentes no hospital daquela província, contando com o apoio permanente das representações espanhola e grega da ONG Médicos do Mundo. Os dois alternam a cada semana e, nessas alturas, são responsáveis 24 horas por dia. Uma semana inteira a atender sozinhos todos os doentes que chegam, numa população de 20.000 pessoas. 24 horas por dia. “Há alturas em que é calmo, mas outras há em que chegam quarenta pacientes num dia”, dizem. Matala e Ali Maulud têm como inimigos a alimentação deficiente, e consequentes má nutrição, anemias e desidratação. Combatem um elevado número de doenças intestinais, gastrites e febres, devido à má qualidade da água.
Para além das crianças e dos mais velhos, também as mulheres são muito afectadas. Ibrahim é o único especialista de ginecologia na região e vem ao hospital de Dakhla uma vez por mês. Como consequência do trabalho duro e do peso carregado (sacos de comida da assistência humanitária e água), as mulheres sofrem muitos abortos espontâneos e rupturas intra-uterinas. O uso de pensos higiénicos, por contraposição aos antigos trapos, tem sido uma conquista progressiva para evitar infecções.
Matala mostra-nos todos os cantos do hospital, as alas das várias especialidades, a enfermaria, a secção de maternidade. Nesta última, apesar de “até haver uma incubadora e esterilizador, só funcionam quatro horas por dia”. Não há electricidade e o sistema de aproveitamento solar não chega para mais. Quando surge algum problema maior, duas ambulâncias estão a postos para levar os pacientes até à unidade hospitalar de Rabuni, num percurso indescritível de bem mais de uma hora.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Notícias na rede: WSRW solicita ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que exija o fim da pilhagem


A ONG internacional Western Sahara Resource Watch enviou no passado dia 21 de Abril, uma carta a todos os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, solicitando o fim da pilhagem do Sara Ocidental ocupado.

A Western Sahara Resource Watch, cujo objectivo é assegurar a aplicação correcta do direito internacional ao Sahara Ocidental, pretende transmitir o seguinte:

1. Órgãos relevantes das Nações Unidas têm demonstrado preocupação com a questão do Sahara Ocidental há várias décadas. A Assembleia Geral tem mantido, consistentemente desde 1966 (Resolução 2229), que a população originária do Sahara Ocidental tem o direito à auto-determinação. O Conselho de Segurança, desde 1988 (Resolução 621) e, para salvaguardar a paz e segurança no Sahara Ocidental, tem insistido na necessidade de levar a cabo um referendo para a auto-determinação do povo saharaui. O Tribunal Internacional de Justiça afirmou no seu Parecer Consultivo sobre o Sahara Ocidental, datado de 16 de Outubro de 1975, que o direito à auto-determinação da população originária do Sahara não está, de modo algum, em dúvida.

2. A Western Sahara Resource Watch chama a atenção dos membros do Conselho de Segurança, para o facto da exploração dos recursos naturais do Sahara Ocidental estar a ser realizada em desrespeito de importantes princípios legais internacionais, incluindo aqueles que estão reflectidos nas resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas (incluindo as resoluções 62/120 e 63/111) e Artigo 1 do Pacto Internacional relativo aos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, ambos ratificados pelo Reino de Marrocos. Tal como foi estabelecido em 2002, de forma bem clara, pela ONU: “…se se verificar uma posterior actividade de exploração, sem ter em conta a vontade e interesse da população do Sahara Ocidental, aquela estará em violação dos princípios do direito internacional aplicáveis à exploração de recursos minerais em territórios não autónomos”.

3. A exploração ilegal dos recursos naturais do Sahara Ocidental tem, como um dos objectivos, a consolidação da ocupação militar e colonização ilegal do Sara Ocidental pelo Reino de Marrocos. Os proveitos dessas actividades são utilizados não apenas para financiar uma presença militar ilegal, mas para Marrocos trazer novos imigrantes para o território, colocando-os ao serviço desta exploração e, deste modo, produzir conflitos sociais e económicos que estão a colocar em risco a paz e segurança do território.
Os incidentes de 21 Julho de 2008 na região de Dakhla (antigamente chamada de Villa Cisneros), onde colonos marroquinos atacaram os poucos saharauis com emprego na indústria pesqueira, representam um motivo de alarme que deve ser tido em consideração.

Pelas razões acima mencionadas, a Western Sahara Resource Watch solicita que o Conselho de Segurança, na sua resolução da próxima semana, decrete uma paragem imediata das actividades de exploração dos recursos naturais, perpetrada pelo Reino de Marrocos e por outros interesses estrangeiros em desrespeito das normas de direito internacional. (Tradução nossa)

Para mais informações contactar:
Cate Lewis, International Coordinator, Western Sahara Resource Watch
lewis.cate@gmail.com
+61 407 288 358
www.wsrw.org
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Duas Dakhlas, um destino




Dakhla é uma cidade, aconchegada numa península, na costa atlântica do Sara Ocidental. Tem prédios, estradas e rotundas, semáforos. Tem praias, surfistas, praticantes de outros desportos naúticos, como o kitesurfing, em busca do vento e das ondas. Tem festivais de música e turistas...

Claro que não foi esta a Dakhla onde estivemos. A “nossa” Dakhla é outra. Os campos de refugiados de Tinduf estão divididos em vilayas e dairas (correspondentes aos nossos distritos e freguesias) baptizadas com os nomes de várias cidades existentes no Sara Ocidental. Uma forma de não esquecer o passado e manter vivo o sentimento de casa. A vilaya de Dakhla é o acampamento mais longínquo de Tinduf, a sudoeste do aeroporto. É também aquele onde se registam as maiores carências ao nível da saúde, educação, transportes e comunicações. E tem o nome da cidade banhada pelo mar que o povo saraui reclama como sua.

A vida no acampamento de Dakhla é dura. A paisagem é desértica, pedregosa e infértil, com barracas de tijolo cru e tendas de lona, as chamadas jaimas, despojadas de tudo. Dentro dessas “casas”, várias janelas permitem que o ar circule, tapetes coloridos cobrem o chão onde se dorme, uma mesa no meio serve de apoio às refeições, o telhado é de zinco. Não há água corrente, a luz é esporádica e não é para todos, vem ao ritmo de baterias carregadas com energia providenciada por painéis fotovoltaicos. Não se vislumbra vegetação. A água é escassa, de má qualidade e extraída através de furos.

Os ventos fortes, baptizados de sirocco, soprados do deserto em direcção ao Norte de África, causam tempestades de quando em vez. Outras vezes, são as raras chuvas torrenciais que provocam desabamentos. Uma das últimas destruiu parte de uma escola frequentada por 630 crianças e jovens, que o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) vai ajudar a reconstruir.

No Verão as temperaturas atingem o calor sufocante dos 50 graus, nas noites de Inverno podem ir aos negativos. Num lugar que os dicionários chamariam de “inóspito”, os sarauis com a ajuda humanitária internacional têm construído algumas infra-estruturas como escolas, hospitais, associações recreativas, pequeno comércio. Na tentativa de minorizar os efeitos das condições em que se encontram e possibilitar a "vida".

domingo, 26 de abril de 2009

To be Saharawi, o filme




O filme To be Saharawi, a luta de um povo pelo direito a existir será a concretização de um sonho que um conjunto de pessoas se atreveu a sonhar. Joaquim de Almeida, actor internacional, Rui Reininho, músico, João Vilhena, fotógrafo, José Manuel de S. Lopes, produtor e realizador, Eberhard Schedl, fotógrafo e camera, Gerardo Fernandes, produtor executivo, Gita Cerveira, director de som, Clara Ferrão, directora de casting, entre outros, partilham esse sonho comum e estão juntos no objectivo de produzir o filme.

As intenções são claras. “Perante uma situação, a do Sahara Ocidental e do povo saharaui, que se arrasta há mais de três décadas, onde todos os direitos pelos quais a sociedade ocidental se diz defensora são ignorados e subvertidos, graças à cobiça duns e à hipocrisia doutros, um grupo de pessoas, ligadas ao cinema, à música e ao jornalismo, decidiu empreender a produção dum filme que mostre ao mundo o que é ser saharaui, o que é ser colonizado, por outro povo que há bem pouco ainda era colónia, o que é ser refugiado e ver os seus filhos nasceram com a condição de refugiados”.

Segundo nos disse o realizador José Manuel de S. Lopes “tem sido duma extrema dificuldade a concretização do projecto, devido ao desinteresse e desconhecimento geral do assunto. E como é um projecto que envolve custos maior a dificuldade”. Ainda assim, está previsto o início da rodagem para este ano, no mês de Setembro. Esperamos que To be Saharawi passe nos ecrãs de todo o mundo brevemente.

Mais informação sobre o filme aqui