
No princípio era o vazio, o desconhecimento quase total, noções ténues, reminiscências de um filme já visto, recordação vaga de uma notícia já lida algures. “Povo Saharaui”, “campos de refugiados de Tinduf”, “Frente Polisario”, tudo conceitos disformes, realidades distantes do nosso quotidiano que vivem a menos de 2.000 quilómetros. Começam então as pesquisas, a investigação, a início meio básica feita do “saber” moderno e perigoso alcançado nas enciclopédias cibernéticas, depois à volta de conversas com quem já esteve no terreno, documentos oficiais e reportagens antigas. A pouco e pouco, os contornos obscuros do mapa com cores garridas ganham sentido, os rostos ora belos, ora sofridos desse povo são conhecidos através de documentários que alguém deixou na internet para chegar a todo o mundo. Pelo menos ao mundo que a eles quiser chegar. Surge-nos então o Povo Saharaui, povo de homens e mulheres, muitos deles em fuga às perseguições, à tortura, à morte, a viver numa terra emprestada, que não é nem será nunca a sua. Povo de crianças que sonham com a terra que foi a dos seus avós e esperam que seja um dia também a deles. "De Tinduf até ao Mar”, assim se chama este registo feito blog, porque assim se espera que seja o trajecto desta gente que iremos conhecer em Abril. Gente como a gente, que não pode partir para uma aventura num período de férias qualquer.
*Eurípides, dramaturgo grego
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