terça-feira, 31 de março de 2009

A Liberdade...

AS RAÍZES:

A Frente Polisario (em árabe:جبهة البوليزاريو), é o acrónimo de Frente Popular de Liberación de Saguía el Hamra y o de Oro, como era conhecida a antiga colónia espanhola do Sahara Ocidental. É um movimento político e militar rebelde que luta pela independência de Marrocos e pela autodeterminação do povo Sarauí.

A Polisario é a sucessora do Movimiento para la Liberación del Sáhara da década de 60, dirigida por Bassiri (na foto), desaparecido por acção da Legião Espanhola nas revoltas de Zemla (actual El Aaiún), uma manifestação contra a colonização durante a ditadura de Franco, em 1970. É desde então considerado o Pai da independência sarauí.

Um grupo de estudantes, liderados por El-Uali Mustafa Sayyid, ou Luali (1950-1976), formam a Polisario a 10 de maio de 1973 em Smara, e a 20 iniciam os confrontos armados, seguindo uma estratégia de luta de guerrilha a partir do deserto. Em 1975 a autoridade militar espanhola era já só efectiva nas cidades costeiras, devido ao enfraquecimento do Franquismo e às investidas da guerrilha.

A OCUPAÇÃO MARROQUINA:

A 6 de Novembro de 1975, Marrocos iniciou a Marcha Verde, estratégia do rei Hassan II de ocupação do Sahara Ocidental que consistiu no envio de 25.000 soldados e 350.000 civis munidos de bandeiras verdes e cópias do Corão para a região.

A 14 de Novembro de 1975, decorrem os acordos de Madrid entre representantes de Espanha, Marrocos e Mauritânia. Daí resulta uma declaração política na qual Espanha cede a administração dos territórios aos outros dois países, não reconhecendo no entanto soberania a nenhum dos dois. Há indícios da existência de anexos secretos ao tratado que estipulavam a concessão a Marrocos de 65% da empresa Fos Bucraa, encarregue da exploração das ricas bacias de fosfatos existentes nesta região do Sahara em troca de direitos de pesca a Espanha para 800 barcos durante 20 anos.

Marrocos ocupou Smara, a cidade berço da Frente Polisario, a 27 de Novembro de 1975, causando o êxodo de Sarauís para a Argélia escapando a represálias dos marroquinos por apoiarem o movimento independentista. Durante a fuga, as forças aéreas marroquinas disparam bombas de fósforo branco e bombas de fragmentação sobre as populações sarauís. A Amnistia Internacional estimou as baixas em cerca de 530 pessoas. Outros ficaram nos territórios ocupados e Marrocos inicia uma política de migração de marroquinos para a região, para reduzir a expressão do povo Sarauí até então maioritário, e este passa a ser descriminado na sua própria terra. As manifestações de sarauís sucedem-se, sendo duramente reprimidas, com detenções e relatos de torturas, segundo a Associação de Familiares de Desaparecidos e Presos Políticos Sarauís. A imprensa marroquina apresenta sempre os manifestantes como membros da Frente Polisario.


Desde 1975, a Frente Polisario encontra-se cediada em acampamentos de refugiados em Tinduf (na foto), no territorio argelino. Ainda nesse ano as Nações Unidas reconhecem o movimento e a 27 de Fevereiro de 1976, a Frente proclama a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) desde Tifariti, na parte do território controlado por Marrocos. A RASD é membro fundador da Organização para a União Africana. Foi reconhecida por 85 países, na sua maioria africanos ou latino-americanos. Outros estados não reconhecem a RASD, mas sim a Polisario como representante legítimo dos sarauís.

A 5 de Agosto de 1979, a Mauritânia cede à guerrilha e entrega a sua parte do Sahara Ocidental à Polisario, mas esse acto não é reconhecido por Marrocos que passa a anexar esse território nos seus mapas.

O MURO:

Marrocos inicia em 1980 a construção de um muro que em Junho de 1982 já envolve 3 das maiores cidades da anterior colónia espanhola, incluindo El Aaiún. A construção do muro vai-se extendendo ao resto dos territórios ocupados, e actualmente, o território do Sahara Ocidental está efectivamente dividido por um muro com mais de 2.000 km de comprimento que se prolonga de norte a sul do território, separando o território ocupado militarmente por Marrocos a Oeste e que inclui toda a costa e as minas de fosfatos de Bucraa, e a região de deserto a Leste administrada pela Frente Polisário, com soberania da RASD. O muro é vigiado por mais de 100.00 soldados marroquinos, está equipado de radares e rodeado de minas anti-pessoais.


Os combates e a construção do muro decorrem até 6 de Setembro de 1991, quando é assinado o cessar fogo.

O REFERENDO:

A Missão das Nacõess Unidas para o referendo no Sahara Ocidental, MINURSO, é um organismo estabelecido pelo Conselho de Segurança da ONU em Setembro 1991 para monitorizar o cessar fogo e delinear o processo de elaboração de um referendo à população do Sahara Ocidental sobre o futuro da região. Segundo a Amnistia Internacional e o Human Rights Watch, o governo e as tropas de Mohammed VI, mais fortes tanto a nível militar como político, impedem a realização deste referendo desde 1992. Segundo a Frente Polisario, este adiar prende-se ao facto da população Marroquina na região vir a aumentar desde então, sendo actualmente maioritária. Devido à inexistência de consenso relativamente à elegibilidade dos cidadãos para votar no referendo, este encontra-se ainda por realizar.

O HOJE:

O Sahara Ocidental é um dos territórios mais escassamente povoados do mundo e possivelmente o de menor densidade populacional. Em Julho de 2004 existiam no Sahara Ocidental 267.405 pessoas. A população Sarauí originária da região é hoje de 250.000 pessoas (70.000 em 1974), sendo que destes, 175.000 vivem em acampamentos de refugiados em Tinduf, Argélia. São assitidos pela ONU e estão situados numa região onde escasseia a água e os alimentos. Estes acampamentos encontram-se divididos em 4 distritos (Wilayas) que por sua vez se dividem em bairros (Dairas). As Dairas foram denominadas segundo nomes de cidades do território ocupado por Marrocos e repartem-se da seguinte forma pelas 4 Wilayas:

El Aaiún: Hagunia, Amgala, Daora, Bucraa, Edchera y Guelta.

Smara: Hauza, Ejdairia, Farsía, Mahbes, Bir Lehlu y Tifariti.

Auserd: Agüenit, Zug, Mijec, Bir Guenduz, Güera y Tichla.

Dajla: Jraifia, Argub, Umdreiga, Bojador, Glaibat el Fula, Ain Beida y Bir Enzaran.

Sem comentários:

Enviar um comentário