AS RAÍZES:
A Frente Polisario (em árabe:جبهة البوليزاريو), é o acrónimo de
Frente Popular de Liberación de Saguía el Hamra y
Río de
Oro, como era conhecida a antiga colónia espanhola do Sahara Ocidental. É um movimento político e militar rebelde que luta pela independência de Marrocos e pela autodeterminação do povo Sarauí.

A Polisario é a sucessora do
Movimiento para la Liberación del Sáhara da década de 60, dirigida por
Bassiri (na foto), desaparecido por acção da Legião Espanhola
nas revoltas de Zemla (actual El Aaiún)
, uma manifestação contra a colonização durante a ditadura de Franco, em 1970. É desde então considerado o Pai da independência sarauí.
Um grupo de estudantes, liderados por El-Uali Mustafa Sayyid, ou Luali (1950-1976), formam a Polisario a 10 de maio de 1973 em Smara, e a 20 iniciam os confrontos armados, seguindo uma estratégia de luta de guerrilha a partir do deserto. Em 1975 a autoridade militar espanhola era já só efectiva nas cidades costeiras, devido ao enfraquecimento do Franquismo e às investidas da guerrilha.
A OCUPAÇÃO MARROQUINA:
A 6 de Novembro de 1975, Marrocos iniciou a Marcha Verde, estratégia do rei Hassan II de ocupação do Sahara Ocidental que consistiu no envio de 25.000 soldados e 350.000 civis munidos de bandeiras verdes e cópias do Corão para a região.
A 14 de Novembro de 1975, decorrem os acordos de Madrid entre representantes de Espanha, Marrocos e Mauritânia. Daí resulta uma declaração política na qual Espanha cede a administração dos territórios aos outros dois países, não reconhecendo no entanto soberania a nenhum dos dois. Há indícios da existência de
anexos secretos ao tratado que estipulavam a concessão a Marrocos de 65% da empresa Fos Bucraa, encarregue da exploração das ricas bacias de fosfatos existentes nesta região do Sahara em troca de direitos de pesca a Espanha para 800 barcos durante 20 anos.
Marrocos ocupou Smara, a cidade berço da Frente Polisario, a 27 de Novembro de 1975, causando o êxodo de Sarauís para a Argélia escapando a represálias dos marroquinos por apoiarem o movimento independentista. Durante a fuga, as forças aéreas marroquinas disparam bombas de fósforo branco e bombas de fragmentação sobre as populações sarauís. A Amnistia Internacional estimou as baixas em cerca de 530 pessoas. Outros ficaram nos territórios ocupados e Marrocos inicia uma política de migração de marroquinos para a região, para reduzir a expressão do povo Sarauí até então maioritário, e este passa a ser descriminado na sua própria terra. As manifestações de sarauís sucedem-se, sendo duramente reprimidas, com detenções e relatos de torturas, segundo a Associação de Familiares de Desaparecidos e Presos Políticos Sarauís. A imprensa marroquina apresenta sempre os manifestantes como membros da Frente Polisario.

Desde 1975, a Frente Polisario encontra-se cediada em acampamentos de refugiados em Tinduf (na foto), no territorio argelino. Ainda nesse ano as Nações Unidas reconhecem o movimento e a 27 de Fevereiro de 1976, a Frente proclama a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) desde Tifariti, na parte do território controlado por Marrocos. A RASD é membro fundador da Organização para a União Africana. Foi reconhecida por 85 países, na sua maioria africanos ou latino-americanos. Outros estados não reconhecem a RASD, mas sim a Polisario como representante legítimo dos sarauís.
A 5 de Agosto de 1979, a Mauritânia cede à guerrilha e entrega a sua parte do Sahara Ocidental à Polisario, mas esse acto não é reconhecido por Marrocos que passa a anexar esse território nos seus mapas.
O MURO:
Marrocos inicia em 1980 a construção de um muro que em Junho de 1982 já envolve 3 das maiores cidades da anterior colónia espanhola, incluindo El Aaiún. A construção do muro vai-se extendendo ao resto dos territórios ocupados, e actualmente, o território do Sahara Ocidental está efectivamente dividido por um muro com mais de 2.000 km de comprimento que se prolonga de norte a sul do território, separando o território ocupado militarmente por Marrocos a Oeste e que inclui toda a costa e as minas de fosfatos de Bucraa, e a região de deserto a Leste administrada pela Frente Polisário, com soberania da RASD. O muro é vigiado por mais de 100.00 soldados marroquinos, está equipado de radares e rodeado de minas anti-pessoais.

Os combates e a construção do muro decorrem até 6 de Setembro de 1991, quando é assinado o cessar fogo.
O REFERENDO:
A Missão das Nacõess Unidas para o referendo no Sahara Ocidental,
MINURSO, é um organismo estabelecido pelo Conselho de Segurança da ONU em Setembro 1991 para monitorizar o cessar fogo e delinear o processo de elaboração de um referendo à população do Sahara Ocidental sobre o futuro da região. Segundo a Amnistia Internacional e o Human Rights Watch, o governo e as tropas de Mohammed VI, mais fortes tanto a nível militar como político, impedem a realização deste referendo desde 1992. Segundo a Frente Polisario, este adiar prende-se ao facto da população Marroquina na região vir a aumentar desde então, sendo actualmente maioritária. Devido à inexistência de consenso relativamente à elegibilidade dos cidadãos para votar no referendo, este encontra-se ainda por realizar.
O HOJE:
O Sahara Ocidental é um dos territórios mais escassamente povoados do mundo e possivelmente o de menor densidade populacional. Em Julho de 2004 existiam no Sahara Ocidental 267.405 pessoas. A população Sarauí originária da região é hoje de 250.000 pessoas (70.000 em 1974), sendo que destes, 175.000 vivem em acampamentos de refugiados em Tinduf, Argélia. São assitidos pela ONU e estão situados numa região onde escasseia a água e os alimentos. Estes acampamentos encontram-se divididos em 4 distritos (Wilayas) que por sua vez se dividem em bairros (Dairas). As Dairas foram denominadas segundo nomes de cidades do território ocupado por Marrocos e repartem-se da seguinte forma pelas 4 Wilayas:
El Aaiún: Hagunia, Amgala, Daora, Bucraa, Edchera y Guelta.
Smara: Hauza, Ejdairia, Farsía, Mahbes, Bir Lehlu y Tifariti.
Auserd: Agüenit, Zug, Mijec, Bir Guenduz, Güera y Tichla.
Dajla: Jraifia, Argub, Umdreiga, Bojador, Glaibat el Fula, Ain Beida y Bir Enzaran.