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Francisco Louçã, fundador e deputado do BE, em entrevista à A23 afirma que o partido “sempre se associou às resoluções internacionais e à defesa da independência do Sahara Ocidental”, e que o Bloco tem “uma relação muito intensa” com a Frente Polisário, acrescentando que tem “acompanhado com muito cuidado e preocupação todo o seu trabalho de diplomacia internacional”. O deputado acusa ainda o Estado Português de manter “uma posição entre o silêncioso e o cúmplice com a Espanha e Marrocos”, e critica a “atitude de grande ignorância” do Estado face “às exigências de independência e de respeito” do povo Saharaui. Entrevista de Ricardo Paulouro
A23: Qual a posição do Bloco de Esquerda em relação ao conflito no Sahara Ocidental e aos cerca de 200.000 mil refugiados Saharaui a viver há 34 anos em campos de refugiados na região de Tindouf?
Francisco Louçã - O Bloco de Esquerda sempre se associou às resoluções internacionais e à defesa da independência do Sahara Ocidental. Parece-nos que é um direito irrecusável à existência de um estado que corresponde a uma nação.
A23: O Bloco de Esquerda tem criticado o posicionamento do estado português relativamente a esta questão. Porquê?
F.L. - O estado português tem tido uma posição entre o silêncioso e o cúmplice com a Espanha e Marrocos e tem tido uma atitude de grande ignorância em relação às exigências de independência e de respeito. O que é estranho, dado que Portugal estava nesse período envolvido no apoio à independência de Timor Leste, com um critério que só pode ser obviamente o mesmo.
A23: Qual a resposta e justificação do Estado face a estas críticas?
F.L. - Tem variado muito ao longo do tempo mas é evidentemente uma questão que a diplomacia portuguesa procura menorizar e procura até ignorar, pelas pressões das relações europeias, sobretudo, relações ibéricas.
A23: Os múltiplos acordos de pesca entre a UE e Marrocos contemplam o uso de águas, por direito pertencentes ao Sahara Ocidental, para exploração por parte dos países membros. Considera que a UE tem tido uma posição hipócrita em relação à questão do povo Saharaui?
F.L. - Sim, não há dúvida nenhuma. Os acordos de pesca são, ao que conheço, a actividade económica mais importante em que se tem explorado os recursos do que deveria ser um Sahara indepedente. Há um interesse económico muito forte de Marrocos em intensificar esta relação com a UE para normalizar e até banalizar a sua presença no território.
A23: Nas últimas eleições europeias, o Bloco de Esquerda triplicou a sua influência eleitoral. Faz parte da agenda política do Bloco de Esquerda alertar os países membros para a causa Saharaui?
F.L. - Temo-lo feito sempre não só no Parlamento Europeu, como na Assembleia da República. A Ana Drago representou o Bloco de Esquerda numa delegação que esteve no Sahara Ocidental numa reunião promovida pela Frente Polisário. Nós temos uma relação muito intensa com a Frente Polisário que se tem feito representar nas nossas convenções e temos acompanhado com muito cuidado e preocupação todo o seu trabalho de diplomacia internacional. É uma questão que continuaremos sempre a seguir porque nos parece que é um critério muito importante, até do ponto de vista de Portugal, do ponto de vista das relações de Portugal com Espanha, do ponto de vista das relações de Portugal com o Mediterrâneo em geral e com África, em termos genéricos.
A23: Na sua opinião, quais são as medidas necessárias para se chegar à resolução definitiva deste conflito?
F.L. - É preciso concretizar as resoluções anteriores das Nações Unidas no sentido de perimtir a escolha livre do povo Sarahui para poder estabelecer a sua independência e as suas regras de organização pública.
terça-feira, 14 de julho de 2009
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